Minha carreira começou no jornalismo, entre redações, entrevistas, notícias e personagens que me ensinaram a observar o mundo e, principalmente, a ouvir as pessoas. Passei pelo rádio, pela televisão, por jornais e revistas, até descobrir nas relações públicas e na comunicação estratégica uma outra maneira de exercer minha profissão: construir pontes entre pessoas, empresas e sociedade.
Tive o privilégio de trabalhar com grandes marcas, participar de projetos importantes, como a Fundação Bienal de São Paulo, construir imagens positivas, proteger reputações e gerenciar crises. Também vivi intensamente o universo acadêmico, como professora e coordenadora de cursos de Comunicação Social. Foram anos ensinando, aprendendo e convivendo com diferentes gerações.
Mas existe uma parte da minha história que nenhum currículo consegue contar.
Antes de qualquer título, sou mãe.
Sou mãe do Bruno, de 37 anos, e da Camila, de 32. E talvez tenha sido a maternidade a experiência que mais me ensinou sobre responsabilidade, coragem, amor e capacidade de superação.
Vivi dois casamentos longos. O primeiro durou 20 anos; o segundo, 15. Foram histórias de amor, escolhas, aprendizados e também despedidas.
Depois do primeiro divórcio, precisei encontrar forças que nem sabia que tinha. Assumi a responsabilidade de criar e formar meus filhos, enfrentando desafios financeiros, emocionais e profissionais.
Houve uma época em que minha rotina começava às sete da manhã e só terminava às onze da noite. Trabalhava muito. Às vezes, mais do que gostaria. Mas tinha um propósito muito claro: oferecer aos meus filhos oportunidades que ampliassem seus horizontes.
Fiz questão de investir em educação de qualidade, cursos de inglês, experiências culturais e viagens internacionais. Queria que eles conhecessem outras culturas, aprendessem novos idiomas, descobrissem diferentes formas de viver e entendessem que o mundo era muito maior do que aquele que conheciam.
Viajamos por lugares lindos, no Brasil e no exterior. Conhecemos paisagens, histórias, sabores e pessoas. Mais do que proporcionar viagens, eu queria abrir janelas para o mundo. E, enquanto eles descobriam o mundo, eu também descobria a mulher que estava me tornando.
Nem tudo foi fácil. Mas tudo me transformou.
Também conheci a solidão, o medo de não dar conta, o cansaço de precisar ser forte e a dor de perceber que nem sempre o amor é suficiente para manter uma relação. Errei, acertei, insisti quando talvez devesse ter partido e parti quando entendi que precisava continuar.
Aprendi que podemos ser profissionais competentes e, ainda assim, sentir insegurança. Podemos ser mães dedicadas e carregar dúvidas. Podemos amar profundamente alguém e reconhecer que uma história chegou ao fim.
A maturidade me trouxe justamente essa compreensão: não precisamos ter todas as respostas para continuar caminhando.
E quem sou eu hoje?
Continuo sendo a jornalista curiosa, a comunicadora apaixonada por pessoas e a professora que acredita no poder do conhecimento. Mas sou também a mulher que adora cozinhar, reunir pessoas em volta da mesa, viajar, conhecer lugares, conversar por horas, aprender coisas novas e fazer planos.
Tenho sonhos realizados, sonhos interrompidos e milhares de outros que ainda quero conquistar. Não acredito que a idade determine quando devemos parar de desejar, amar, estudar, trabalhar ou recomeçar.
E foi dessa mistura de experiências profissionais e pessoais que nasceu meu desejo de compartilhar o que aprendi sobre a vida, as relações humanas e a maturidade.
Hoje, como mentora, não pretendo ensinar ninguém a viver. Quero provocar reflexões, compartilhar experiências e oferecer ferramentas para que outras mulheres encontrem suas próprias respostas.
Porque passei muitos anos ajudando empresas a construir suas imagens, comunicar seus valores e enfrentar crises. Hoje, também quero ajudar mulheres a reconhecer seu valor, recuperar sua voz e descobrir novas possibilidades.
Afinal, se aprendi alguma coisa ao longo dessa caminhada, foi que amadurecer não significa chegar ao fim de uma história. Significa ganhar consciência para escrever os próximos capítulos.
E eu ainda tenho muita história para viver.
Cássia Gargantini
Jornalista, comunicadora, mentora, mãe e uma mulher em permanente construção.
